(via thayeville)
Trato dos domingos, como ensaiamos falar aqui outro dia. Aquele momento que você não tem alguém para o simples ato de coçar o meio das costas, naquele ponto da anatomia em que a mão não alcança.
Você há de fazer a Greta Garbo com sua famosa ordem para o mundo deixá-la no seu refúgio: “I wan to be alone”.
Você há de dizer, bem-resolvido(a), aproveita que é domingo, vai até à feira japonesa da Liberdade e compra uma daquelas mãozinhas coça-costas.
O almoço solitário do domingo, principalmente depois que você se separa, também pega. Ô! Mas aí tem aquele amigo papo-bom que tira de letra.
Ou, como aconselho, você manda a lasanha (semi-pronta) do desprezo no forno e mata inclusive a ansiedade qual um Garfield.
Há quem diga que a pior solidão é quando você adoece e não tem alguém ali para fazer um chá, uma sopinha, ninguém ali para fazer a Ana Neri -a heroína matriarca da enfermagem brasileira.
É pensando nisso que a minha mãe sempre me adverte nos intervalos de solteirice: “Case, meu filho, imagina ter uma dor de madrugada e ninguém por perto?!”
" - Xico Sá (via flor-de-papel)(via bialiima)